sexta-feira, 8 de abril de 2011

Apocalipse now? Acho que ainda dá tempo!

Caros amigos,

            Depois de longo e penoso processo de aceitação da informática, de repente abandonei a caneta e a máquina de datilografia e passei a não poder mais viver sem o computador e a Internet. Meu último passo foi querer criar um blog para interagir com maior número de pessoas.

            E daí? você perguntaria, até porque isso não é nenhuma novidade. Milhares, milhões de pessoas ao redor do mundo fazem o mesmo. E eu respondo que quando você se apropria de conhecimentos e experiências importantes não pode guardá-las para si num mundo tão cheio de desafios e problemas com pessoas insistindo em caminhos que se mostraram equivocados e resultaram nessa tremenda crise existencial, ambiental, social, pessoal, etc.

            Tem outra coisa, a minha geração viveu uma época efervescente e passou por experiências muito ricas embora muitas vezes dolorosas e traumáticas. Estou me referindo ao período do governo militar que, se por um lado inibiu a manifestação do pensamento político, abriu (claro que sem querer) outras possibilidades para a mente humana no Brasil. Foi assim que novas formas, até então esotéricas, de pensar a existência  puderam adentrar espaços e mentes até então ocupados por duas ou três religiões tradicionais e não muito mais que duas ideologias políticas.

            Foi assim que muitos jovens como eu, que não nos animávamos muito com as formas políticas e religiosas propostas e permitidas nos envolvemos com práticas de meditação, ioga, macrobiótica, naturopatia, massoterapia, acupuntura, iridologia, do-in e outras cuja aplicação parecia ir ao encontro de aspirações generalizadas de desenvolvimento espiritual, sustentabilidade ambiental e social. A maioria dessas incursões foram ou continuam a ser absorvidas pela sociedade de consumo e conservadora que terminou dominando, mas não consegue dar respostas aos desafios planetários que estamos vivendo. Foi assim, que optei por deixar Goiás, onde o clima estava irrespirável e vir para Brasilia que viveu sob governo do Dr José Apareacido de Oliveira um momento de liberdade e investigação que abrigava os inconformados do Brasil. Minhas propostas eram fazer o mestrado de ecologia da UnB e refletir a introdução da agricultura orgânica.  Acho que fui bem sucedido na segunda proposta. Faltaram recursos para a primeira.    

            Mas a minha geração não conseguiu criar um novo modelo de coexistência pacífica entre os homens e entre a humanidade e o Planeta. A geração atual me parece pior e caminhar sonambulamente para a guilhotina. O caso do Japão me parece exemplar até porque se trata de um povo de cultura milenar, refletido e com uma sólida tradição budista que preconiza o equilíbrio. Mas construir usinas nucleares sobre fissuras geológicas parece absurdo até para nós brasileiros que não temos uma cultura milenar, não somos um povo refletido e nossa cultura greco-latino-judaico-americana não se caracteriza por trilhar “os caminhos do meio”.

            O Blog do João quer apresentar uma reflexão tão profunda quanto permita a minha falta de especialização em qualquer desses temas e, talvez até por isso mesmo, na tentativa de refletir uma possibilidadae de síntese entre o que é científico-cartesiano e o que é intuitivo e pragmático que nos permita habitar o Planeta. Refletir o que é aceitável e o que não é sustentável. Nisso eu me considero razoavelmente preparado porque é o que tenho feito toda a vida desde que saí da Escola de Viçosa até agora. Através desta postura algo zen, sem ser budista, consegui trabalhar temas polémicos ora no sistema, ora no Estado, ora fazendo palestras e desempregado. Foi com essa abordagem que escrevi o Manual de Horticultura Ecológica, que foi editado pela Nobel, em 1995 e que vende bem até hoje.  

            Criei o blog ontem, dia 06 de abril de 2011, mas não consegui trabalha-lo. Logo que me acertar espero a cada semana tratar um assunto polêmico. E de repente acontece a tragédia no Rio. E me pego com uma questão aparentemente desconexa: o que tem em comum as tragédias do Japão e a do Rio? Conto com a sua participação tão logo eu esteja familiarizado em lidar com o blog. Abraço a todos. João.

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